sexta-feira, 13 de outubro de 2006

RESPEITÁVEL PÚBLICO!!!! SOCORRO!!!



Esse palhacinho aí do lado, tem tudo a ver comigo. E, ao mesmo tempo, nada. É meu filho, o que justifica a primeira afirmação. Mas tem uma personalidade completamente diferente, o que justifica a segunda.
Deixou-se vestir assim para uma apresentação na escola. Deixou-se pintar assim. E não agüentava esperar pela hora de ir. Feliz...feliz como toda a criança é... mesmo as tristes. Ensaiou seu número compenetrado, como se disso dependesse o futuro da humanidade. Ensaiou com uma entrega que só as crianças têm. No palco, atuou como se estivesse dizendo o monólogo de Hamlet, embora fosse um número de mímica. Entrou da coxia e encarou o público como se fosse íntimo de cada pessoa sentada na platéia. Olhos nos olhos... Sem medo de se expor... E como estava feliz!... Tão feliz, que - só de ver a felicidade dele - a platéia riu e também ficou feliz.

Lembrei de quando eu tinha a idade dele. Lembrei de que, numa festa junina, alguém tentou me pintar um cavanhaque e um bigode. Quando olhei no espelho, achei-me ridículo e comecei a chorar. Os argumentos adultos não me convenceram a usar aquela cara. Concedi, muito contrariado, em usar uma calça com um horrível remendo colorido e um lenço grotesco amarrado no pescoço. Definitivamente, não suportava esse tipo de exposição.

Anos depois, quando comecei a dar aulas na universidade, precisei fazer curso de oratória pra vencer o trauma: fiz três. Mais tarde, entrei para um curso de teatro que foi o máximo, mas fugi da apresentação do final de ano. Sem contar os quinze anos de psicoterapia Junguiana. Com tudo isso, meu medo da exposição pública foi acabando. Mas, nunca deixou de existir uma tensão, um sofrimento a cada início de aula, a cada véspera de uma palestra. O fantasma da auto-crítica continua mais assustador do que nunca. O máximo que consegui foi vencer o medo e ir lá pra frente com fantasma ou sem fantasma, o que é uma grande vitória.

Só não consegui ter a alegria e a leveza que esse palhacinho tem.

20 comentários:

Edu disse...

Caro Paulo,

Antes de mais nada, obrigado pela leitura de meu modesto blogginho... Não ando escrevendo muito, porque meu PC anda um pouco temperamental... Talvez um litro de querosene e 2 fósforos resolvam a questão, mas ainda estou avaliando soluções menos radicais. =]

Lendo teu post, me lembrei de um poema de Florbela Espanca. Ainda não sei bem porque. Mas aqui vai ele...

"
INTERROGAÇÃO

Neste tormento inútil, neste empenho
De tornar em silêncio o que em mim canta,
Sobem-me roucos brados à garganta
Num clamor de loucura que contenho.

Ó alma charneca sacrossanta,
Irmã da alma rútila que eu tenho,
Dize pra onde vou, donde é que venho
Nesta dor que me exalta e me alevanta

Visões de mundos novos, de infinitos,
Cadências de soluços e de gritos,
Fogueira e esbrasear que me consome!

Dize que mão é esta que me arrasta ?
Nódoa de sangue que palpita e alastra...
Dize de que é que eu tenho sede e fome ?!"


Podes não ter a leveza e a alegria estampada, não sei. Mas que várias vezes vc me levou a pensar em outros aspectos ou ter um novo ponto de vista, isso é certo.

Essa "mão que te arrasta" talvez seja a que nos brinda com teus posts, que no fundo preto, colore nosso pensamento.

Abração

Edu =]

Paulo de Tarso disse...

Edu
Tentar conter o "clamor de loucura" que teima em sair, como "roucos brados que sobem à garganta" é o mesmo que encher um dique de água e fechar as comportas, até que se rompam e destruam tudo à sua frente. "Não dá mais pra segurar! Explode coração!"
"Escrever é preciso. Viver não é preciso".
Bom ter alguém pra poder compartilhar as "visões de mundos novos, de infinitos". Bom ter alguém pra ouvir minhas "cadências de soluços e de gritos".
Obrigado!

Gabriella disse...

Oi, Paulo, em primeiro lugar, bom dia!
Pegando carona na foto desse menino fofo que é seu filho, vim aqui porque você deixou algumas perguntas no blog de uma amiga minha, Andréia (In Other Words...) sobre o vegetarianismo.
Sei que deve existir muita gente que pensa como você, então quis, com toda minha humildade, esclarecer tuas duvidas. =)
Paulo, argumentemos com fatos para que as pessoas entendam que ser vegetariano esta além de querer proteger os animais e de ter uma vida mais saudavel. Ja que seu enfoque foi sobre a fome, aqui estão algumas informações:
So pra começar a explicar, a "grosso modo", pense que quanto menos espaço tivermos, mais o vegetarianismo será imprescindível, pois um hectar pode produzir mais cereais do que bois... Além de precisar de mais espaço do que a agricultura, a produção de animais para consumo humano polui o ambiente, exige sempre novas áreas para pastos (desflorestamentos, queimadas)... e cem kilos de cereal não produzem cem quilos de carne (produzem bem menos)...
Existem muitas pesquisas provando que alimentação carnívora não é uma opção ecologicamente correta. Embora a pecuária no Brasil seja extensiva, devemos lembrar que o desmatamento ocorre por causa dela, principalmente para o plantio de soja para a alimentação de ruminantes (não apenas no Brasil, mas em outros países também).

A carne na Europa é vendida a peso de ouro, ou seja, não chega em todos os pratos, e a fome nos países subdesenvolvidos é exatamente porque não há como comprar esse alimento tão caro.

O impacto ambiental seria bem menor se o consumo de carne diminuísse, já que a criação influi e muito na ecologia gerando mais uma fonte para o aquecimento global, outro detalhe é que, não importa se fazemos isso há milhões de anos, também escravizavamos alguns anos atrás e paramos, não temos que nos manter presos a tradições arcaicas e sim ver o que é bom hoje ou não, e parar quando descobrimos (mesmo depois de milhões de anos) que estávamos errados.

O consumo de carne não é bom, nem para humanos nem para animais e a carne não é, seguramente, a única fonte de proteina.

No Brasil, por exemplo, a expansão da pecuária no Pará, que abriga o quarto rebanho do pais, com 18 milhões de bovinos, é uma das causas das ocupações das terras e do desflorestamento das florestas públicas. Segundo o jornal Estado de São Paulo, são abatidos até 3000 bovinos por dia nos entrepostos frigoríficos do sul do Estado. Em uma outra região do Pará, na Terra do Meio, situada no sudeste do estado, 60.000 hectares de floresta já foram devastados nos últimos anos; sendo que 10.000 ha desde o começo do ano passado...

Para alimentar os animais ocidentais cujas carnes serão destinadas a nossos restaurantes, mac-donalds e cozinhas familiares, o Brasil foi obrigado a aumentar de 400% suas exportações de soja entre 1977 e 1980, enquanto que, concomitantemente, 10.000 crianças morriam de fome por ano! Não esquecendo que as estatísticas apontavam, oficialmente, (!), 38 milhões de subnutridos...

No Senegal, a cultura do amendoim feita para alimentar os animais da pecuária substitui a cultura de lavouras familiares que alimentavam a população local. De 1980 à 1988 mais de 65.000 crianças morreram de fome anualmente, e isso em uma população
que conta com apenas 4,54 milhões de habitantes...

Enquanto isso, na Tailândia, 90% da produção de mandioca, principal recurso do país, são exportados para alimentar os animais cujas carnes serão destinadas á alimentação patogênica e degenerativa dos escravagistas ocidentais...
Durante esse tempo, 50.000 crianças morrem de fome na Tailândia, país que possui apenas 5,1 milhões de habitantes...

60% da produção ocidental de bovinos ‘consome’ a produção pesqueira chilena e peruana, enquanto que, entre 1980 e 1985, 48.000 crianças morriam no Chile e 90.000 crianças morriam diretamente ou indiretamente de FOME!

Em todos estes países, milhares de camponeses são expropriados de maneira brusca para que suas terras possam ser utilizadas para cultivos destinados à exportação, e tudo isso é feito com o consentimento, mesmo com o apoio dos governos dos países
industrializados, então, evidentemente, com a cumplicidade de todos os cidadãos ocidentais! =(

Apenas nos Estados Unidos, a indústria da carne é responsável pela perda de 85% da camada fértil do solo. Ela utiliza cerca de metade da água do país e produz vinte vezes mais excrementos que toda população americana, o que aumenta, obviamente, a poluição da terra e da água, enquanto o ar é submetido a uma carga cada vez maior de metano.

Você sabia que o gado americano sozinho come quantidades astronômicas de cereais e soja, quantidades estas que poderiam alimentar cinco vezes a população dos Estados Unidos? Pode imaginar então o que da pra fazer com os paises pobres, não?

Em uma análise ainda diferente, um esquema feito há alguns anos por Joël de Rosnay ilustra o problema da “energia”... olha so:

"Em 1974, se os americanos tivessem comido 35% menos carne, 32 milhões de hectares de terra que serviram para alimentar a pecuária, teriam sido liberados, e ali poderia se ter plantado soja em 5% da superfície para restituir aos americanos as proteínas das quais precisariam. No resto de 95% da superfície, poderia se ter plantado vegetais que crescem rapidamente. Tal biomassa teria alimentado 255 centrais térmicas de 1000 Mégawatts, ou seja, a potência TOTAL em eletricidade instalada nos Estados Unidos naquele ano!... (e poderíamos adaptar à vontade esses números aos dados franceses ou mesmo europeus!...)
Por um simples hamburger envolvido em dois pedaços de pão branco, é necessário transformar cinco metros quadrados de floresta virgem em pasto! Globalmente, os Estados Unidos transformam por dia 1.000 toneladas de boi em hamburguers... Isso significa o deflorestamento acelerado de regiões inteiras da América do Sul e da América Central. O fenômeno é impressionante: 25 milhões de seres humanos se ‘dedicam’ a cada dia, através do consumo passivo de hamburguers a destruírem massivamente o meio ambiente.".

Por exemplo, a Costa Rica "Suíça da América Latina" era recoberta por cerca de 72% de florestas em 1950, ou seja, 37 000 kilometros quadrados. Hoje em dia, esta superfície é de apenas 26% e 60.000 hectares são destruídos por ano. O gado invade as áreas desflorestadas: quando as carcaças dos animais rumam para os Estados Unidos ou para a Europa, a preços ridiculamente baixos, enquanto que para a população local os preços são altíssimos, os solos do país já estão enfraquecidos e em vias de
desertificação!

No primeiro ano após o desflorestamento, é preciso contar com um hectare de prado para alimentar uma cabeça de gado. Cinco anos depois, de cinco a sete hectares não são suficientes. E cinco anos mais tarde, o solo tornou-se definitivamente estéril...

Concretamente, não é a Dietética que tornará o homem sadio, mas nós homens, devemos tornar a Dietética sadia, quer dizer, não apenas uma ciência idealista e portadora de uma consciência coletiva, mas igualmente forte economicamente e socialmente, permitindo uma reconstrução fundamental de todos os circuitos e setores das atividades que tocam de perto ou de longe o ato da alimentação.

Visão utópica, segundo alguns, mas afirmo que é muito mais utópico esperar prosperarmos tranqüilos e serenos, tendo como ideal um egoísmo vegetativo, sem sofrer, nos anos vindouros, individualmente e coletivamente a revanche devastadora do crédito que
concedemos à indústria!

Modificar, mesmo que pouco nosso conforto pessoal, pode ter um impacto considerável não apenas sobre nossa saúde mas sobretudo na coletividade.

Existem muitos textos interessantes espalhados pela internet também:

http://www.jornaldomeioambiente.com.br/JMA-index_noticias.asp?id=9762

No documentario "A Carne é Fraca", do Instituto Nina Rosa e preste atenção ao que diz Whashington Novaes e se te interessar, dê uma olhada nos textos do DR Márcio Bontempo, da comunidade criada por ele, no ORKUT.
Dr.Marcio Bontempo é médico,vegetariano, especialista em saúde pública, palestrante e autor até o momento de 45 obras. Há mais de 25 anos divulga os recursos naturais na restauração e manutenção da saúde.
Foi o primeiro médico brasileiro a denunciar os perigos dos agrotóxicos e dos aditivos artificiais nos alimentos, em seu polêmico livro "Relatório Orion", publicado com grande sucesso pela LP&M Editores, em 1985.
Publicou a obra "Alimentação para um Novo Mundo" que defende sua filosofia.
Se tiver interesse: www.drmarciobontempo.com.br
No Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3934579

Bom, é isso.
Um beijo e obrigada.

Paulo de Tarso disse...

Gabriella
Estou sem fôlego... Nada como ter alguém "do ramo", como se diz, pra esclarecer a gente. Seu artigo - porque não é um post, é um artigo digno de qualquer publicação - trás dados impressionantes. Absolutamente convincentes! A mim, fica apenas a dúvida em relação à questão da pesca: será que essa modalidade também é predatória como a cultura bovina? No Japão, sem terras férteis, a maior fonte de proteína é justamente o peixe. E em relação à avilcultura? Tem o mesmo impacto ambiental do que a pecuária de bovinos?
Na verdade, o argumento da fome que usei é um pouco falacioso. O que gera fome, não é tanto a substituição de um tipo de cultura por outro, mas sim a pouca vergonha da elite econômica mundial. Alguém - qualquer alguém - passar fome é um caso de polícia e não de racionalização da agricultura, ou da economia ou de qualquer outra coisa.
Obrigado pela resposta e pela visita.

disse...

Gostei muito do texto. Se um dia eu tivesse um filho talvez eu me visse no seu lugar.

Aliás, todo esse papo de carne acima me deu fome... vou agora a um rodízio. Adoro aquela carne sangrando no meu prato!

Bjo.

Andréa N. disse...

Caramba, que filho lindo!

Paulo, acho que o que te falta é o tesão de falar em público, de enfrentar esse desafio. Uma amiga me disse uma vez que não entendia como eu conseguia não ter medo de assistir a filmes de terror, passear de montanha-russa e apresentar um programa de TV (esse último há muuuitos anos). Eu disse pra ela que eu tinha medo SIM. A diferença entre nós duas é que esse medo me dava o maior tesão e ela simplesmente fugia da situação. A sensação de leve tensão e "borboletas no estômago" ou whatever you want to call it, me dava uma bruta vontade de tentar, e eu curtia mais ainda no final. Sempre assisto filmes de terror me pelando de medo (e ADORO, apago as luzes pra piorar a coisa), sinto dor de barriga na fila pra montanha-russa, e morro de nervoso de falar em público, mas me desafio e sei que vou acabar curtindo em dobro e adivinha: batata. Já pensou em tentar mudar a sua percepção? Isso se chama "programação neurolinguística" e não fui eu quem inventou, não. Só descobri por conta própria, graças aos deuses! Experimente qualquer hora e depois me conte.

P.S. A Gabi é um espetáculo, né-não?!

Paulo de Tarso disse...

Andréa
Meu esporte mais radical é xadrez.
Depois de ter passado por uma fibrilação atrial e ter amargado 48 horas de UTI, passei a tomar beta-bloqueadores para reduzir a freqüência cardíaca. Sou uma pessoa ansiosa (muito ansiosa) e, definitivamente, não preciso de nada que me jogue mais adrenalina no sangue do que minha supra-renal já faz espontaneamente. Pelo contrário, procuro acupuntura, shiatsu, tai chi, yoga e tudo o que possa me baixar a bola, já que a vida é suficientemente perigosa e radical.
Contudo, penso que passei uma imagem de, digamos, bundão. Não é exatamente isso. É quase isso. Mas se você reler o meu último parágrafo, vai ver que eu não me furto a enfrentar as tais situações estressantes. Como você, vou morrendo de medo. Apenas constatei que não o faço com a leveza e a alegria que meu filho, aos oito anos ("Oh que saudade que eu tenho.. Da aurora da minha vida...etc") faz.

P.S. A Gabi é um espetáculo sim!!!

Paulo de Tarso disse...

Fe
Essa tua observação sobre a carne é própria do "Chato", né?

Edu disse...

em tempo:

Teu filho é o máximo. rss

Edu
=]

Andréa N. disse...

Eu vi sim, Paulo, que vc encara mesmo. Isso eh otimo. Mas eu queria que vc curtisse, tambem, como teu filho faz. Como vc disse, a vida ja eh dureza. A gente tem que encontrar formas de curtir as coisas, pra sobrar bem pouco do que eh chato, mala, doloroso ou obrigatorio. Eh isso.
Eu ADORO xadrez. Amei vc chama-lo de seu esporte radical, hehe, me lembrou aquele filme do Monty Python: "bispo come a rainha, todo mundo comendo a rainhaaaa!!" :)

Zeca disse...

Paulo, 1o obrigado pelo comentário que você fez sobre a minha escalação dos 11 melhores da MPB lá no blog da Alessandra Alves. Fiquei curioso em visitar o blog do cara que resolveu não colocar sua escalação por causa do meu post :-) e não me arrependi! Hehe... Já cadastrei seu blog no meu "favoritos" e vou sempre passar por aqui para um café!

Realmente seu filho é uma graça! E achei incrível essa alegria que ele sentiu ao subir no palco, parece para mim uma forte vocação. Acho que você deveria incentivar e estimular isto (quem sou eu para dar conselhos!). Penso que a felicidade e realização que nossos filhos vão ter no futuro pode ser fortemente influenciada pelos pais, caso estes sejam sensíveis e possam perceber, como você percebeu, as coisas que encantam nossos filhos e que sinalizam uma possível vocação. Não tenho filhos ainda, mas acho que uma das preocupações que terei será a de manter a antena sempre ligada, procurando estes sinais, essas mensagens que meus filhos me passarão indicando o que parecem amar e que poderão amar no futuro. Vou tentar estimular isto ao máximo, deixar os/as moleques(cas) experimentarem, quebrarem a cara um pouquinho. Bom, é isso o que acho agora... qdo eu tiver o meu 1o filho deixo você saber o que penso, se mudei de idéia! No papel e na teoria tudo funciona, o bicho pega mesmo é na vida!

Quanto ao seu "medo" de falar em público, comigo é ao contrário. Adoro, fui orador na faculdade, sempre faço apresentações no trabalho e me candidato para falar. Aliás, tenho um pequeno problema para conseguir ficar quieto! O que mais me estimula é a possibilidade de conquistar o público, de "vender" as idéias que estou apresentando. Adoro ver os rostos reagindo, as expressões, me vejo viajando dentro da cabeça de cada um, percorrando o sistema nervoso, curtindo a viagem que os estímulos nervosos fazem no cérebro e que fazem as pessoas entenderem as coisas do seu jeito, sobre seu ponto de vista.

Um pouco louco, não? Pois é, como todos, também sou meio louquinho!

Grande abraço e pode deixar que apareço.
Zeca

M. disse...

Uau, fico alguns dias longe da blogsfera e quando volto esse Crônicas Agudas tá bombando em comentários! Super merecido! E obrigada pelo último comentário no Le Bal, fiquei até vermelha com os elogios.
beijos, beijos.

Edu disse...

Ah não... 10 dias sem postar não vale!

Abraços

Edu

=]

Paulo de Tarso disse...

Zeca: obrigado pela visita. Mais um "vizinho" pra gente fofocar, pendurado na cerca do quintal. Procurei o teu sítio, através do perfil, mas não encontrei. Onde está?
: você sabe que o que falei vem do coração. Senti mesmo tudo aquilo. Um dos melhores posts que você já escreveu.
Edu: essa é uma "cobrança" que só me deixa feliz. Vou tentar cumprir. Às vezes pinta a síndrome do papel (ou da tela) branco: você olha pra ele, ele olha pra você e não sai nada... hehehe... Abração!

Zeca disse...

Paulo, sabe que ainda não comecei meu sítio... danada da preguiça! Faz tempo que estou me prometendo começar a escrever, mas não tenho sido muito bom ultimamente em cumprir minhas promesas à mim mesmo... assim que eu começar aviso, ok?

Abraço, Zeca

gabi disse...

Paulo, obrigada pela mente aberta, pela disposição ao debate saudavel, pela amplitude de pensamento. Não é todo dia que "cruzamos" com pessoas como você! =)
Ja que seu enfoque a respeito do vegetarianismo é baseado em "impactos gerados no meio ambiente", deixemos de lado então a questão "sofrimento animal", apesar de que para qualquer indivíduo capaz de sofrer, o grau de sofrimento - e não a espécie - é que conta. Mesmo que não façamos isso pelos animais, reflitamos todos sobre nossas escolhas: entre o nosso deleite individual e a harmonia da biosfera, o sistema que, queiramos ou não, é o nosso lar, o nosso corpo, e do qual dependemos inteiramente para nossa sobrevivência.
"A maneira pela qual criamos animais para alimento é uma ameaça ao planeta. Isso polui o ambiente e consome imensa quantidade de água, grãos, petróleo, pesticidas e drogas. Os resultados são e serão desastrosos." - Dr. PhD David Brubaker, Center for a Livable Future (Centro por um Futuro Sustentado), Johns Hopkins University, "Environmental News Network"
Faz-se necessario saber que a pesca predatória, por exemplo, destrói ecossistemas inteiros... pescar artesanalmente também não é uma prática tão impactante (preste atenção entre a diferença entre a pesca artesanal e a indústria da pesca!). Se não conseguimos deixar de comer carne, ao menos podemos comer carne com responsabilidade e lucidez.
A cada ano, aproximadamente 80.000 golfinhos e milhares de outros animais marinhos são aprisionados nas redes de pesca comercial no mundo inteiro. A grande maioria morre. A pesca industrial esgota as cadeias alimentares marinhas, danificando seriamente os ecossistemas oceânicos.
A indústria da pesca, com os seus navios pesqueiros, é também causadora de poluição nos rios e, sobretudo, nos oceanos, para além de ser uma das principais responsáveis pela destruição dos ecossistemas marinhos devido à quantidade de peixes e animais marinhos que captura, nomeadamente aqueles que não são supostamente pretendidos (como é o caso das tartarugas, golfinhos, focas, leões marinhos e outros animais que são apanhados “acidentalmente” nas redes dos navios pesqueiros, acabando frequentemente por morrer ou ficando pelo menos gravemente feridos). A própria pesca artesanal, embora seja ambientalmente menos agressiva, é muitas vezes responsável pela morte de inúmeros peixes e outras espécies aquáticas que se encontram ameaçadas de extinção.
Existe um artigo super interessante sobre isso na revista Science (02/06/98) intitulado: "Overfishing Disrupts Entire Ecosystems" (http://72.14.221.104/search?q=cache:hcrB3WAZxEEJ:www.fisheries.ubc.ca/publications/news/science6feb1998.pdf+Overfishing+Disrupts+Entire+Ecosystems&hl=fr&gl=pr&ct=clnk&cd=4), é bem bacana!
A alimentação no Japão, por exemplo, é dominada pelo arroz branco (hakumai), e poucas refeições seriam completas sem ele para esse povo. Qualquer outro prato servido durante uma refeição - é considerado como um acompanhamento, conhecido como okazu.
As pessoas "pescam" arroz? o.O
As refeições tradicionais recebem seu nome de acordo com o número de acompanhamentos que vêm junto do arroz e da sopa que são quase sempre servidos. A refeição japonesa mais simples, por exemplo, consiste de ichijū-issai ( "uma sopa, uma acompanhamento" ou "refeição de um prato"). Isto quer dizer que a refeição é composta de sopa, arroz e de algum acompanhamento - normalmente um legume em conserva.
O café da manhã japonês tradicional, por exemplo, normalmente é constituído de misso shiru (sopa de pasta de soja), arroz e algum legume em conserva. A refeição mais comum, entretanto, é conhecida por ichijū-sansai ("uma sopa, três acompanhamentos"), ou por sopa, arroz e três acompanhamentos, cada um empregando uma técnica de culinária diferente. Estes acompanhamentos normalmente são peixe cru (sashimi), um prato frito e um prato fermentado ou cozido no vapor - ainda que pratos fritos, empanados ou agri-doce podem substituir os pratos cozidos. O Ichijū-sansai normalmente se encerra com conservas como o umeboshi e chá verde.
Como o Japão é uma nação insular, sabemos que as características geográficas influenciam os hábitos alimentares de uma população. E no caso do Japão, isso não é diferente: em virtude da grande extensão do litoral e da presença de correntes marítimas frias e quentes, aquele pais é uma das maiores nações pesqueiras do mundo. Seu povo consome muitos frutos do mar, além de peixe e outros produtos marinhos (como algas).
Hmmm, bem, nos estamos falando em Japão, não? Não é um povo conhecido pela cultura, pela inteligência, perspicacia, audacia tecnologica? Apesar de sua reduzida área para a agricultura (menos que 15% do território), os japoneses aproveitam INTENSAMENTE o espaço, aplicando técnicas modernas para o cultivo de cereais, hortaliças e frutas. No caso da pecuária, a falta de boas pastagens limita a atividade.
Ou seja, eles podem, SIM, se alimentar de maneira saudavel se usarem um pouquinho o cérebro como ja vimos nos exemplos citados acima, isso sem contar que a alimentação típica japonesa apresentar um alto consumo em algas marinhas, vegetais cozidos ou refogados, tais como abóbora japonesa (kabocha), bardana (goboo), broto de feijão (moyashi), broto de bambu (takenoko), cogumelos secos (shiitake), espinafre japonês (horenso) e raiz de lótus (renkon) ou em conserva, como: acelga, berinjela, cebola, cenoura, gengibre, nabo (daikon), pepino e repolho, soja e derivados (principalmente o queijo de soja, chamado tofu, consumido cru (com molho shoyu) ou cozido e oleo de soja ou arroz.
O macarrão, originado na China, também é uma parte ESSENCIAL da culinaria japonesa. Existem dois tipos tradicionais de macarrão, soba e udon. Feito de farinha de centeio, o soba é um macarrão fino e escuro. O udon, por sua vez, é feito de trigo branco, sendo mais grosso. Ambos são normalmente servidos com um caldo aromatizado com soja, junto de vários vegetais. Uma importação mais recente da China, datando do início do século XIX, vem o ramen (macarrão chinês), que se tornou extremamente popular. O Ramen é servido com uma variedade de tipos de sopa, incluindo todos os tipos de molho.
Ainda que muitos japoneses tenham desistido de se alimentarem de insetos, ainda existem exceções. Em algumas regiões, gafanhotos (inago) e larvas de abelha (hachinoko) não são pratos incomuns. Lagartos também são comidos em alguns lugares.
Não podemos esquecer que são eles também, os japoneses que contribuem com a destruição do ecossistema quando sabemos que aproximadamente mil baleias são sacrificadas a cada ano com arpões que explodem ao tocar sua pele, bastões que descarregam mil watts ou disparos em suas cabeças. O Japão é o rei destas práticas e, em seu afã de mantê-las e ampliá-las, suborna governos de pequenos países latino-americanos, segundo denúncias de ambientalistas e cientistas.
Várias espécies de cetáceos estão em risco devido à caça indiscriminada. As baleias, das quais há mais de 20 espécies no mundo, são mamíferos de inteligência semelhante à dos animais domésticos, afirmam cientistas. O risco de extinção paira, principalmente, sobre os grandes cetáceos do Pacífico asiático, como a baleia cinza, da qual restam apenas cerca de 120 exemplares na região, explicou o cientista. Nos mares, as baleias são mortas com um arpão-granada, que explode ao entrar em contato com o animal. Também são usados bastões que transmitem descargas elétricas. Quando nenhum destes métodos funciona, são utilizadas armas de fogo. A recomendação é atirar direto na cabeça do animal.
Estamos falando de homens, humanos e então entendemos que esse setor gera uma renda superior a US$ 1 bilhão ao ano no mundo!!! Entendeu? ;)
Evito falar sobre orientais, ja que todos sabemos que sãos mestres em "pratos cruéis": japoneses servem peixes ainda vivos, pulando no seu prato. Chineses torturam cães até a morte para que suas carnes fiquem "macias".
Isso, segundo a ética, é desnecessario.
Agora, saber as implicações do consumo de carne e continuar comendo carne sem se preocupar com este ato é, sim, em minha opinião, insensibilidade e falta de responsabilidade pessoal para com as atuais e futuras gerações.
Em relação a criação de aves, o impacto ambiental é o mesmo, é também uma das principais atividades responsáveis pela destruição de ecossistemas, ja que como "atividades pecuárias", considera-se a criação e abate de animais com fins alimentares, bem como a criação de animais para exploração dos seus produtos, como é o caso dos ovos e do leite. TODO o processo de preparação da carne por exemplo, envolve o emprego de uma quantidade considerável de recursos tão importantes como a água e a electricidade, que são gastos em muito menor quantidade na produção agrícola de vegetais.

Bom, pra finalizar e pra que você entenda bem tudo isso, aconselho que veja os videos de "A carne é fraca", do maravilhoso instituto Nina Rosa: http://www.youtube.com/watch?v=2YhTfrHXyfU
Você, meu caro Paulo, podera ver os videos ao invés de ter a Gabriella tagarelando aqui no seu blog e estragando essa imagem LINDA do seu filho quando disseca os podres da humanidade!
Esse documentario é sensacional: http://www.youtube.com/watch?v=VQHVCzHM-4k&mode=related&search= (Terraqueos)
Meet your meat: http://video.google.fr/videoplay?docid=195777870900147944&q=meet+your+meat

So pra terminar, (hohoho), ainda sobre a "falacia" sobre vegetarianismo e fome no mundo, veja que uma dieta vegetariana pode alimentar consideravelmente mais pessoas do que uma dieta centralizada na carne:
Dieta quase puramente vegetariana alimenta 6,3 bilhões de pessoas
15% de calorias de fonte animal alimentam 4,2 bilhões de pessoas
25% de calorias de fonte animal alimentam 3,2 bilhões de pessoas
[A fonte da pesquisa é da FAO -Organização da Alimentação e da Agricultura - Nações Unidas]
Sabe-se hoje que a quantidade de vegetais que é utilizada na alimentação dos animais não-humanos que exploramos, criamos e matamos para comer seria mais do que suficiente para alimentar todos os humanos que existem actualmente em todo o mundo – quer os que têm hoje comida no prato, quer aqueles que nunca comeram num prato e que não sabem o que é uma refeição.
Isso sem esquecer os procedimentos de plantar para alimentar os animais:
- Biodiversidade diminuída pela perda de habitats e danos no ecossistema
- Erosão de solo
- Redução da água disponível para irrigação
- Produção de gases que causam o Efeito Estufa (óxido nitroso e dióxido de carbono)
- Esgotamento do aquífero (lençol freático)
- Contaminação da água pela infiltração de nitrogênio, fósforo e pesticidas empregados nas plantações
E também os seguintes problemas criados pelo esterco animal:
- Contaminação das águas
- Danos no ecossistema aquático
- Produção de gases que causam o Efeito Estufa (óxido nitroso e metano)
- Contaminação do solo por metais pesados
- Chuva ácida e danos nas florestas causados pela emissão de amônia
Triste pensar que a energia dos combustíveis fósseis é o maior dos insumos da produção industrial de ovos, leite e carne animal, e que os sistemas industriais (fazendas-fábrica) são ineficientes na conversão dessa energia em alimentos para os humanos, não? =(
Imagine so que as fazendas-fábricas coletam os excrementos animais em grandes lagoas que vazam para os cursos de água locais. Isso sem contar que as fazendas intensivas de porcos têm tornado o ar irrespirável em várias comunidades rurais; alguns dos residentes são obrigados a usar máscaras quando saem de casa (revista Time, 30/11/04).
Os excrementos suínos e de aves tem contribuído para a difusão de organismos patogênicos nos cursos d'água, envenenado humanos e matando milhares de peixes (revista Scientific American, 8/00). O livro publicado pelo senador norte-americano Tom Harkin em dezembro de 1997, "Animal Waste Pollution In America" (Poluição dos Dejetos Animais nos EUA) diz que de 1995 a 1997, mais de 40 vazamentos de dejetos animais mataram 10,6 milhões de peixes.
Será que nós, como humanos, tendo a habilidade de raciocinar e comunicar idéias abstratas verbalmente e por escrito, e tendo a habilidade de formar julgamentos éticos e morais usando o conhecimento acumulado, teremos o direito de tirar as vidas de outros seres sensíveis ? Principalmente quando não estamos sendo forçados a isso pela fome ou pela necessidade nutritiva, mas sim pelo motivo um tanto frívolo de gostar do sabor da carne ? Enfim, não deveríamos ter uma melhor consciência disso ?
E você, ja comeu a Amazônia hoje? http://www.vegetarianismo.com.br/artigos/amazonia.html
Se não nos preocupamos com o bem estar animal, se ainda sim, continuamos a ser especistas, se a ética não é importante, pensemos então que é nosso dever eliminar ou reduzir o impacto ecológico negativo que as nossas atividades têm, nomeadamente no equilíbrio ecológico do planeta.
Peter Singer, em seu livro Libertação Animal, afirmou: "Aqueles que alegam se importar com o bem-estar dos seres humanos e com a preservação do meio ambiente deveriam se tornar vegetarianos só por esse motivo. Desta maneira, essas pessoas aumentariam a quantidade de grãos disponíveis para alimentar as pessoas em todos os lugares, reduziriam a poluição, poupariam água e energia e cessariam de contribuir para o desmatamento de florestas (...) Quando os não-vegetarianos dizem que 'os problemas humanos vêm em primeiro lugar', eu não consigo deixar de questionar o que exatamente eles estão fazendo pelos seres humanos que os obriga a continuar seu apoio ao desperdício e à brutal exploração dos animais de fazenda."
Tudo isso que foi exaustivamente explicado ai em cima é so uma maneira recheada de argumentos para uma decisão simples: se queremos, podemos, sim, dizer não ao consumo de carne. Ou seja, mesmo morando no Japão ou na Nova Zelândia, existem alternativas para uma dieta saudavel sem a ingestão de cadàveres.
Um beijão pra você! =)

gabi disse...

Nossaaaaaa!!! Eu tô com medo de mim!!! hauahuahuahua
Olha o tamanho do meu comentario! o.O

Paulo de Tarso disse...

Gabi
Impressionante! Meu blog vai virar referência mundial em estudos sobre vegetarianismo e impacto ambiental. Isso é uma brincadeira, mas não é ironia. Estou impressionadíssimo com o seu nível de conhecimento e engajamento no assunto. E mais: a energia e garra com que você defende seu posicionamento. É muito bonito isso e mobiliza quem lê.
Quero deixar registrado aqui que não sou defensor de nenhum lado. Não sou vegetariano (agora estou em vias de me tornar um) nem defendo a indústria da carne. Respeito e tendo a defender qualquer comportamento que defenda a ecologia. Quando fiz perguntas lá em cima, não foi com a finalidade de promover um debate, mesmo porque, nessa área, não posso debater com ninguém, por falta de conhecimento e até de posicionamento. Quando fiz as perguntas quis apenas obter respostas. E as obtive de maneira impressionantemente completa.
Penso que você atingiu um de seus objetivos. Se ainda não me converteu a mim em um vegetariano, conseguiu um simpatizante da causa e alguém que vai se informar cada vez mais a respeito até tornar-se um praticante e, talvez, um militante.
Muito obrigado por isso, pela visita e pela nova amizade que me trouxe.

gabi disse...

Poisé, meu caro, mas essa labuta é diaria!!!
Você é que é um 'fofo' e que busca conhecimentos antes de debater ou falar qualquer besteira.
E eu é que estou feliz por ter crescido nesse nosso pequeno-longo-riquissimo dialogo.
Tu ganhou uma admiradora! =)
Beijoca!

A Coisa disse...

Bom... passei aqui e vim dizer que quando voce me liga, me xinga com a leveza de um moleque traquinas! Esse papo vegetariano de possível adepto é para quem nunca te encontrou em uma churrascaria! eheheh... Ah, se eu não der uma zoadinha não tem a menor graça! Ninguém mandou me convidar! Bjos